Como precificar projetos sem perder margem (em 4 passos)
A maioria das agências define preço olhando o concorrente. O caminho mais seguro começa pelo custo real do seu time — e é mais simples do que parece.
Precificar projeto no Brasil ainda é, na maioria das vezes, um chute disfarçado de proposta. Olha-se o que o concorrente cobra, arredonda-se para um número que pareça competitivo e torce-se para sobrar alguma coisa no fim. O problema é que o que sobra (ou falta) só aparece quando o projeto já acabou — e aí não dá mais para corrigir.
Existe um jeito mais seguro, e ele não depende de adivinhação. Depende de conhecer o custo real da sua hora e proteger a sua margem antes de mandar a proposta. Veja o método em quatro passos.
1. Descubra o custo real da hora do seu time
O erro número um é confundir o salário com o custo. Um colaborador que custa R$ 5.000 por mês não trabalha 220 horas faturáveis nesse período. Tire férias, feriados, reuniões internas, retrabalho e tempo ocioso e você chega facilmente a 120 horas realmente produtivas.
Some encargos, ferramentas, rateio de aluguel e custo de gestão. O custo real da hora costuma ser duas a três vezes o que a conta ingênua sugere. Sem esse número, qualquer preço é loteria.
2. Estime o esforço em horas — não em "feeling"
Quebre o projeto em entregas e estime cada uma em horas. Use o histórico de projetos parecidos como âncora: se o último site institucional levou 90 horas, o próximo dificilmente vai levar 40. Quando você mede o tempo real das tarefas, essa estimativa para de ser opinião e vira dado.
Tempo medido fora da tarefa vira estimativa. Tempo medido dentro da tarefa vira preço.
3. Aplique a margem antes, não depois
Margem não é o que sobra — é o que você decide ganhar. Defina o percentual de lucro desejado (digamos, 30%) e embuta no preço desde o começo. Custo da hora × horas estimadas, mais a margem, mais uma reserva para imprevistos. Esse é o piso da sua proposta.
- Custo direto: horas × custo real da hora.
- Reserva de risco: 10% a 15% para o inevitável retrabalho.
- Margem de lucro: o número que mantém a agência de pé.
4. Compare com o mercado por último
Só agora você olha o concorrente — não para definir o preço, mas para entender onde você está posicionado. Se o seu preço justo está acima do mercado, o problema pode ser custo alto ou posicionamento; se está bem abaixo, você provavelmente está deixando dinheiro na mesa.
No Posti, esse fluxo é parte do dia a dia: você mede as horas dentro de cada tarefa, vê o custo se formar em tempo real e descobre a margem do projeto enquanto ele acontece — não três meses depois, no susto. Precificar deixa de ser chute e vira processo.